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Após 3 anos do rompimento da barragem da Samarco (controlada por Vale e BHP) em Mariana - MG assistimos na sexta-feira, dia 25 de janeiro, uma nova tragédia envolvendo a Vale (VALE3). O enredo é o mesmo, o rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração na região de Brumadinho - MG.

Mesmo com um vazamento de lama menor que o desastre de Mariana, o número de fatalidades foi muito maior. Até o momento são 60 mortes e 292 pessoas continuam desaparecidas.

Na sexta-feira, o impacto da tragédia atingiu as ADR (American Depositary Receipt) da Vale negociadas na Bolsa dos EUA, que fecharam com queda de 8%. No Brasil devido ao feriado na cidade de São Paulo, não houve negociação na Bolsa. A repercussão nas ações ficou para segunda-feira (28), chegando a cair mais de 20%.

No curto prazo espera-se um impacto muito negativo no preço das ações da Vale. Nos médio e longo prazos a natureza do acidente torna muito difícil precificar o valor da empresa.

Muitas variáveis são imensuráveis como indenizações para as vítimas, custo de reconstrução da área atingida e principalmente a repercussão negativa na imagem da empresa, reincidente numa catástrofe desse porte. Enquanto a maioria das grandes empresas estão comprometidas com a preservação do meio ambiente, a Vale demonstra total incapacidade de prevenir acidentes ambientais.

O que temos até o momento é o bloqueio de 11 bilhões nas contas da Vale, ordenado pela justiça para garantir a reparação dos danos às vítimas e a suspensão da negociação das ações detidas pela empresa. A companhia já recebeu algumas multas: do IBAMA em R$250 milhões e da secretaria do meio ambiente de Minas Gerais na cifra de R$99 milhões.

A Standard & Poor`s ratings colocou as ações da Vale em creditwatch com implicações negativas, ou seja, até maiores detalhes das consequências do acidente, a nota de risco da empresa estará em observação e pode ser rebaixada em vários graus dependendo dos impactos causados pelo desastre.

Na parte operacional ainda é cedo para prever os impactos que a companhia sofrerá. A produção foi paralisada na região e o acidente deve dificultar a obtenção de novas licenças e atrasar o retorno das atividades da Samarco.

O volume de produção das minas do complexo do Paraopeba, no último resultado trimestral divulgado pela companhia, correspondeu a 7% da produção da Vale. A exportação não deve ser afetada, tendo em vista que o minério de ferro destinado ao exterior é oriundo do complexo de Carajás, no Pará.

O reflexo seria no mercado interno que é abastecido pelo complexo mineiro.

O que fazer com as ações da VALE3 nesse momento?


Para os investidores que estão de fora e acreditam que a provável queda das ações no pregão de hoje, segunda-feira (28), pode proporcionar uma oportunidade de compra, estes devem ter cautela, pois acredito que seja precipitado qualquer movimento de compra sem sabermos as consequências dos impactos financeiro e operacional no médio prazo para a empresa.

Para os investidores que estão posicionados nas ações da VALE3, é essencial acompanhar a abertura dos negócios na segunda-feira e o seu desenrolar durante o primeiro momento. Avaliar em qual patamar de preço as ações irão abrir e seguir nos primeiros dias é fundamental.

Falo isso porque o comportamento manada, conhecido também por efeito pânico, toma conta da maioria dos investidores e esses acabam vendendo a qualquer preço suas posições na abertura, provocando uma avalanche na cotação do ativo, como aconteceu. 

Por ora, as tendências de longo prazo foram alteradas para neutras e seguimos observando o ativo nos próximos dias. Para ficar informado é essencial que você acompanhe nosso Bom dia Toro Investimentos e nossa live do mercado ao vivo. 

Rafael Panonko.
Chefe de Análise da Toro Investimentos

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