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Saiba como gerenciar seu orçamento doméstico da melhor forma

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Neste artigo, veja como os parceiros da Toro Radar e membros do Núcleo de Educação Financeira (NEF) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Dany Rogers e Andresa Carolina, podem te ajudar a entender melhor umas das principais ferramentas do planejamento financeiro: o orçamento doméstico.

Muitas pessoas têm a percepção de que receber altos salários implica em uma vida financeira estável. Mas isso não necessariamente é uma verdade. Por isso, não espere ganhar mais para aprender a controlar seu dinheiro. Inicie agora seu orçamento doméstico, seja individual ou familiar.

No dia a dia, não é muito difícil encontrar pessoas que quanto mais recebem mais gastam e que muitas vezes acabam passando por sérias dificuldades financeiras por causa desse comportamento. Mas também encontramos quem não ganha muito e consegue ter uma boa qualidade de vida, com casa e carro próprios, viagens anuais de férias e filhos em boas escolas particulares, por exemplo.

É possível fazer muito com pouco, assim como se pode fazer pouco com muito. Basta você querer e se empenhar!

Sua realidade é consequência de um bom controle financeiro ou de um planejamento mal executado. Isso porque o que importa não é quanto dinheiro você ganha, mas como você gasta, administra e valoriza esse dinheiro. Por isso, lembre-se sempre que ter uma boa educação financeira depende muito mais dos seus gastos do que dos seus ganhos.

Continue lendo para aprender:

  • Como começar a fazer seu orçamento doméstico
  • A diferença entre despesas fixas e variáveis
  • Quais atitudes tomar em relação ao seu saldo mensal

O início de um bom orçamento doméstico

O orçamento doméstico é um modo de identificar e controlar as despesas de um indivíduo e/ou família para que estas não ultrapassem as suas rendas. Ao contrário do que muitas pessoas (e pode ser que até você) pensam, fazer um orçamento familiar não demanda conhecimentos profundos em finanças.

O que você precisa saber inicialmente para ter um bom resultado é:

  • Qual a sua renda líquida, ou seja, qual valor você recebe efetivamente todo mês
  • Quais são as suas despesas, isto é, os gastos que você tem mensalmente

Existem diversos tipos de renda e é extremamente importante que você saiba em qual (ou quais) categoria sua renda se encaixa, pois isso influencia diretamente a elaboração do seu orçamento. As principais categorias de renda são:

Tipos de renda do orçamento doméstico
Tipo de Renda Definição Exemplos
Rendas Temporárias Quando a renda que você recebe possui um prazo para acabar Recebimento de aluguel
Rendas Perpétuas Quando a renda que você recebe não possui prazo para acabar Aposentadoria
Rendas Fixas ou Uniformes Quando a renda que você recebe possui valores iguais ou variam muito pouco Salário
Rendas Variáveis Quando a renda que você recebe possui valores diferentes Comissão de vendas, bônus por produtividade, dividendos


É de suma importância que você lembre sempre que a sua renda líquida é o valor que você recebe efetivamente. Ele é o valor que “sobra” após terem sido feitos todos os descontos no seu pagamento mensal, tais como impostos, INSS, contribuição sindical, entre outros.

Você pode ter mais de um tipo de renda e é isso que todos desejamos. Porém, quanto mais rendas você possuir, maior deverá ser o controle financeiro sobre elas. Só assim você saberá exatamente quanto recebe e quanto realmente pode gastar, evitando cair na armadilha de achar que pode gastar sem controle.

Em relação às despesas, podemos dividi-las em duas categorias principais:

  • Despesas fixas: aquelas cujo valor é fixo ou varia muito pouco e ocorrem praticamente todo mês, independente do seu nível de consumo
  • Despesas variáveis: aquelas cujo valor varia de acordo com a frequência e intensidade do seu consumo e podem não ocorrer todo mês.

Confira no quadro a seguir alguns exemplos de despesas fixas e de despesas variáveis:

Tipos de despesas do orçamento familiar
Despesas Fixas Despesas Variáveis
Aluguel / Prestação de casa
Condomínio
Empregada doméstica / Diarista
Escola particular dos filhos
Faculdade dos filhos
Plano odontológico
Prestação do carro
Seguro do carro
Seguro de Saúde
IPTU/IPVA
Alimentação
Cuidados pessoais
Transporte / Combustível/ Estacionamento
Água / Luz / Gás
cheque especial / cartão de crédito
Passeios / Viagens
Cinema / Teatro
Farmácia
Vestuário
Cuidados com animais de estimação


É claro que existem outras despesas, por isso é importante ter em mente que, na elaboração de um orçamento familiar, todas as despesas (e não somente as apresentadas no quadro) devem ser listadas minuciosamente. Isso significa que você deverá anotar até mesmo aquelas consideradas irrisórias por você.

Para isso, você terá de fazer um esforço e ter muita disciplina, além de trabalhar em equipe com toda sua família. Pode parecer muito trabalho, mas anime-se! Tanto esforço te proporcionará muitos benefícios futuros, pode ter certeza disso.

Depois da identificação de todas suas rendas e despesas, você deverá fazer a seguinte conta:

RENDAS – DESPESAS = SALDO

Após esse cálculo, tem-se a parte crucial do orçamento: a análise do resultado obtido.

  • Se o seu saldo for positivo: significa que sua renda é maior que suas despesas, ou seja, o que você recebe é suficiente para pagar o que você gasta. Isso no curto prazo significa que você se encontra em uma situação financeira estável.
  • Se o seu saldo for negativo: você tem um problema, porque sua renda é menor que seus gastos. Você está gastando mais do que recebe e isso pode comprometer seriamente as suas finanças pessoais no longo prazo. Se estiver nessa situação, está na hora de começar a agir! E sugerimos que seja imediatamente.

Em ambos os casos, é importante que sejam tomadas algumas atitudes para cuidar melhor das finanças. Afinal, não adianta fazer um orçamento familiar se não utilizar o máximo possível de informações contidas nele.

Comportamentos e atitudes que ajudam seu orçamento familiar

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Não fuja da realidade, principalmente se tiver uma forte percepção de que a sua situação financeira não está boa. Ignorar o resultado obtido não irá ajudar em nada! Não se deixe levar pelo efeito avestruz, isto é, aquela tendência que temos de ignorar informações potencialmente ruins para evitarmos o desconforto psicológico que elas nos causam.

Esse comportamento é bastante comum quando o assunto é a elaboração do orçamento doméstico. Muitas vezes não queremos saber, ou relutamos em conhecer, a nossa real situação financeira. Por isso, acabamos não fazendo ou sempre temos uma “boa” desculpa para não fazer o nosso orçamento.

O orçamento em si é uma ferramenta muito boa e eficaz, mas se não houver disciplina, força de vontade e ações efetivas de sua parte, ele se torna algo insignificante e sem utilidade.

Por isso, separamos algumas ações que podem ser tomadas por quem possui saldo positivo e também para os que possuem saldo negativo.

6 atitudes para quem tem saldo positivo

1) Nunca ache que o seu conhecimento é suficiente para administrar bem o seu dinheiro. Ser educado financeiramente exige muito conhecimento e disciplina, pois as tentações de consumo são muitas.

2) Considere a opção de incluir em seu orçamento uma reserva de emergência. Não deixe o viés do otimismo irreal te prejudicar, fazendo você subestimar a chance de passar por experiências negativas como problemas de saúde, assaltos ou desastres meteorológicos. Entenda que isso, infelizmente, também pode acontecer com você.

3) Nunca se descuide e sempre se esforce para que o seu saldo melhore ainda mais.

4) Verifique quanto falta para que suas despesas superem sua(s) renda(s). Pensando assim verá que sempre é possível cortar ou diminuir algum gasto.

5) Busque investir o dinheiro que está “sobrando” todo mês, mas para isso procure conhecer um pouco mais sobre investimentos. Você verá que a poupança não é a única opção. Para conhecer todas as possibilidades de investimentos, conte com a ajuda da Toro Radar!

6) Guarde uma parte todo mês para realizar uma viagem com sua família ou amigos. Você verá como isso é gratificante e te dará ainda mais força para continuar a ter uma boa educação financeira.

14 dicas para quem está com saldo negativo

1) Com caneta e papel em mãos, anote durante um mês todo e qualquer gasto realizado por você imediatamente após sua realização. Não deixe nada de fora! Você se surpreenderá ao saber como um gasto que você acredita ser pequeno pode ter efeitos enormes em seu orçamento.

2) Reveja com bastante atenção as suas despesas, pois assim fica mais fácil saber o que precisa e pode ser cortado. Como as despesas fixas são mais difíceis de serem suspensas ou alteradas, comece primeiro revendo suas despesas variáveis.

3) Se possível, tente aumentar sua(s) renda(s) de alguma forma, como por exemplo: sendo representante comercial de catálogos de grandes marcas, fazendo trabalhos freelance nos finais de semana ou vendendo objetos que estão em desuso em casa.

4) Estabeleça um limite de gastos para as suas despesas fixas. Estas não devem ultrapassar mais de 50% da sua renda mensal líquida. Você poderia juntar todos da casa, por exemplo, e realizar a limpeza em vez de pagar uma diarista. Você pode até ter bons momentos com sua família e vai incentivar a organização de todos.

5) Uma boa forma de economizar é pesquisar preços antes de efetuar as compras. E não se esqueça do supermercado, pois ele representa uma grande despesa no orçamento familiar da maioria dos brasileiros. Considerando uma família brasileira comum, uma dica seria: compras entre R$ 100 e R$ 1.000 reais é bom realizar 3 orçamentos e a partir de R$ 1.000 reais realizar 5 orçamentos. Você ficará espantado como os preços variam entre as lojas, com diferenças superiores a 50% em muitos casos.

6) Evite sair de casa com cartões de crédito, uma vez que eles podem ser um grande inimigo para o seu bolso. Apenas os utilize quando já estiver decidido, em casa, sobre a compra e o parcelamento que realizará.

7) Tente, sempre que possível, fazer pagamentos à vista e com dinheiro para conseguir bons descontos e reduzir seus gastos.

8) Priorize seu plano de como sair das dívidas. Caso esteja com dificuldades de pagar tudo em dia, dê preferência para as contas que possuem juros mais altos, como cartão de crédito ou cheque especial.

9) Os juros podem ter um peso muito grande para as finanças. Diante disso, nunca faça o pagamento do valor mínimo da fatura do cartão de crédito e nem utilize o cheque especial. Não faça isso nem por um mês sequer!

10) Se estiver endividado com cartões de crédito ou cheque especial, procure imediatamente seu banco para dividir esse valor. Se existe a possibilidade de você fazer um empréstimo consignado para resolver a situação, faça. Essa é uma das melhores soluções de crédito disponível no mercado para pessoas físicas.

11) Sempre que for realizar alguma compra, elabore uma lista com tudo aquilo que você realmente necessita. A chance de você se dispersar e comprar algo desnecessário é menor.

12) Não vá ao supermercado com crianças e com fome (é isso mesmo que está ouvindo!), pois isso deixa você mais vulnerável para gastar. Nunca deixe de fazer uma lista detalhada dos produtos que precisa e tenha disciplina para comprar apenas o que estiver listado.

13) Planeje melhor as suas compras. Sempre que você pensar em comprar algo, considere o impacto do valor no seu orçamento.

14) Sempre tente responder para você mesmo essas três questões: eu realmente preciso disso? Qual a real utilidade deste produto para mim? Essa compra não afetará o meu sono já que conseguirei pagá-la tranquilamente?

Além do que já foi dito, é importante ressaltar que o controle do orçamento doméstico é um processo contínuo. Não adianta fazê-lo somente no momento em que a situação estiver ruim e, depois que a situação for revertida, você simplesmente parar. A história pode se repetir!

A ferramenta utilizada para controle, seja uma planilha de orçamento familiar, um aplicativo ou um caderno, deve ser revisada e atualizada constantemente para que o resultado final seja preciso.

Sugerimos que não busque fazer um orçamento somente em momentos de crise. Comece agora! Mantenha um bom planejamento mesmo quando estiver em uma situação financeira tranquila. Assim, quando as turbulências financeiras chegarem, sua família estará preparada e não será pega de surpresa.

O bom orçamento doméstico só depende de nós mesmos. Tenha em mente sempre que se não soubermos valorizar nosso dinheiro, ninguém fará isso por nós.

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nef - logo - educacao-financeira O NEF (Núcleo de Educação Financeira) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) atua para aumentar a conscientização sobre a importância da boa educação financeira para a qualidade de vida.

Este artigo foi escrito por:

Dany Rogers - Doutor em Finanças pela EAESP/FGV, professor do curso de Administração e coordenador do Núcleo de Educação Financeira (NEF) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Especialista em Educação Financeira e Finanças Comportamentais. E-mail para contato: nef@pontal.ufu.br.

Andresa Carolina - Graduanda em Administração e bolsista do Núcleo de Educação Financeira (NEF) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). E-mail para contato: nef@pontal.ufu.br.

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