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No dia de hoje trazemos um artigo escrito pelo colega e amigo Silvio Teixeira de Souza, que tem o blog do Silvio, excelente canal de informações sobre o mercado. Com esse post, enriquecemos a discussão sobre o futuro da OGX e sobre o que tem determinado o destino da cotação de suas ações, espero que gostem.

Por que a OGX não sobe?

Por Silvio Teixeira:

porque ogx nao sobe

Tenho recebido diversos e-mails perguntando "por qual motivo as ações da "OGXP3"" não sobem?"

Em resposta a todos, elas não "sobem", porque a percepção de mercado em relação ao seu risco é elevada. A empresa apresentou o resultado de 2013 com prejuízo de R$ 17,4 bilhões, porém com ebitda positivo em R$ 141 milhões.

E o que vem a ser o EBTIDA?

ebtida ogxO EBTIDA representa o quanto uma empresa gera de recursos através de suas atividades operacionais, sem contar impostos e outros efeitos financeiros. Dá a possibilidade dos analistas não analisarem apenas o resultado final da organização, e sim o processo como um todo. O EBITDA é utilizado essencialmente para analisar o desempenho da empresa, pois ele é capaz de medir a produtividade e a eficiência da empresa, um ponto que é essencial para os investidores que pretendem investir. 

Aí eu abro a internet, e vejo sites com foco em mercado financeiro em que o analista diz que é "impossível cobrir OGX após prejuízo recorde", ou que é "impossível interpretar os dados financeiros", outros que a empresa não presta e etc.

Sabe o que acontece? A maioria das pessoas que frequentam chats, fóruns e salas de bate papo sobre mercado financeiro sofrem de SCA (Síndrome do Corneteiro do Apocalipse) e começam a se desesperar com coisas que tem 0.0000000001% de chance acontecer, como por exemplo: Em 1995 o Banco do Brasil, apresentou um prejuízo de R$ 4,2 bilhões, em 1996 apresentou um novo recorde de R$ 7,5 bilhões e com ebitda negativo. O bafafá sobre notícias relacionadas a falência, quebra e outros ganharam uma força imensa. Sabe o que veio depois? A ação que em 1996 valia R$ 0,50. Em 1997 passou a valer R$ 1,00, em 1998 R$ 3,50...Em 2003 já valia R$ 5,00 e em 2008 valia acima dos R$ 30,00.

E naquela época, os analistas divulgavam no Jornal do Brasil que era impossível analisar o Banco do Brasil. É infinitamente muito mais cômodo, falar que algo é impossível à analisar suas deficiências técnicas em relação ao assunto. E isso não vale somente para as ações OGXP3, valem para todas. 

estudo ogx ogpar recuperacaoEnquanto deixarem o "impossível" em seus vocabulários, realmente será isso. Olhar para o lado esquerdo do gráfico e fazer análises, não é nenhum bicho de 7 cabeças. Analisar o que já passou, é simples, até porque é convincente. Agora olhar para o lado da direita, e projetar, analisar e estimar, é muito difícil. Precisa do "in loco" e diversas outras ferramentas, para defender seu trabalho. Ai separa-se naturalmente o joio do trigo e nas grades acadêmicas não tem espaço para esse tipo de fundamentação de trabalho.

Voltando a "OGXP3", é preciso mudar a percepção em relação ao risco, a medida que essa percepção for diminuindo, o preço arbitrado no free float, tenderá a elevar-se.

De um lado, temos pessoas que sofrem da Síndrome do Corneteiro do Apocalipse e começam a se desesperar com coisas que tem a mínima de chance acontecer. Do outro, existe a turma do “Manda ver!” que simplesmente está disposta a lidar com o que der e vier, não se importando com as consequências.

Na prática, risco é igual à probabilidade do problema acontecer multiplicada pelo estrago que ele pode causar. 

Vamos aos riscos:

Risco 1 – Ninguém querer o seu produto ou serviço: A empresa negocia Petróleo, um dos produtos mais disputados do mundo.

Risco 2 – Problemas contábeis e jurídicos: A empresa está em recuperação judicial. No dia 06 de março disponibilizou para seus 226 credores o plano de recuperação judicial, que tem 30 dias para manifestar-se contrários. Como foi divulgado pela imprensa, alguns apresentaram a impugnação, o que é normal pela dimensão do processo. Os próximos eventos será a publicação do edital e data da assembléia geral de credores (AGC).

Na AGC podem acontecer 3 possíveis cenários:

a) Falta de quórum e adiamento da AGC. Resultado, seria agendada uma nova data em até 30 dias.

b) Rejeição do PRJ. Resultado, seriam feitos ajustes ao Plano de Recuperação Judicial, e agendamento de uma nova data.

c) Aprovação do PRJ. Resultado: Seria proposta a saída da Recuperação Judicial.


Cenário Atual: Os credores internacionais da OGpar já fizeram o 1º aporte de US$ 125 milhões, que sinaliza a concordância com o PRJ. Esse grupo de credores representa a maioria necessária para aprovação na assembléia. Após aprovação do PRJ na AGC, será liberado o valor de US$ 90 milhões referentes a segunda tranche.

Risco 3- Categorizar os riscos de tomar medidas adequadas e eficientes: A OGpar ainda não apresentou a seus atuais investidores, um plano estratégico de negócios (PEN). (Não confundir com a reunião anual da APIMEC).

O PEN significa o ato de pensar e fazer planos de uma maneira estratégica, auxilia na definição de objetivos e estratégias para alcançar esses objetivos, sendo por isso, uma parte crucial para percepção dos investidores. Planejar estrategicamente significa usar os recursos disponíveis de forma eficiente, aumentando a produtividade de um indivíduo ou empresa. A gestão do tempo é crucial para qualquer empresa, pois é um dos recursos mais valiosos à disposição. 

A medida que esses 3 riscos forem sendo superados, a tendência é que a percepção em relação ao valor praticado melhore.

E aí, o que acharam do artigo? Deixem seus comentários e sugestões!

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atua no mercado de ações há 8 anos e é membro da equipe do Toro Radar desde 2010, onde atua como instrutor de cursos e palestras sobre diversos temas na área de investimentos e como analista. Estudou administração de empresas no IBMEC de Minas Gerais e Direito na Universidade Federal de Minas Gerais. Possui a certificação de Planejador Financeiro CFP® - Certified Financial Planner, é Consultor de Valores Mobiliários registrado na CVM e Analista CNPI-T registrado na APIMEC.
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